Um punhado de economias asiáticas está se destacando na corrida para integrar criptomoedas e stablecoins ao uso cotidiano. Cingapura, Hong Kong, Índia e Coreia do Sul desenvolveram quadros regulatórios que incentivam bancos e fintechs a experimentar ativos digitais para pagamentos e remessas — uma mudança que está atraindo a atenção de todo o continente.
Por que esses quatro estão liderando
Cada jurisdição seguiu um caminho diferente, mas com resultados semelhantes: regras claras que permitem às empresas operar sem incertezas. O banco central de Cingapura vem trabalhando em padrões para stablecoins desde 2023 e, este ano, começou a licenciar emissores sob uma lei de pagamentos específica. O regulador financeiro de Hong Kong seguiu com consultas sobre emissores de stablecoins e, em seguida, agiu rapidamente para permitir que plataformas licenciadas ofereçam pagamentos cripto ao varejo. O banco central da Índia, após anos de cautela, aprovou um piloto para uma moeda digital de banco central (CBDC) em remessas transfronteiriças, e agora bancos comerciais testam stablecoins em conjunto com ela. As autoridades financeiras da Coreia do Sul aprovaram uma Lei Abrangente de Proteção de Ativos Digitais e desde então autorizaram programas piloto para cartões de pagamento cripto e aceitação em pontos de venda.
Stablecoins encontram espaço nas remessas
O maior uso prático até agora é nas remessas. A Índia recebe cerca de 100 bilhões de dólares por ano de sua diáspora — e parte significativa desse valor já é transferida via stablecoins. Bancos em Cingapura e Hong Kong começaram a oferecer serviços de liquidação que utilizam USDC e USDT para transferências entre corredores, reduzindo custos e tempo em comparação com transferências tradicionais. Fintechs da Coreia do Sul estão se integrando a exchanges para permitir que trabalhadores em Cingapura enviem stablecoins lastreadas em won para casa com velocidade quase instantânea. O respaldo regulatório nos quatro países significa que esses fluxos não operam mais em uma zona cinzenta.
Pagamentos no varejo ganham atualização cripto
Para gastos diários, a adoção é mais discreta, mas real. Na Coreia do Sul, várias redes de conveniência começaram a aceitar stablecoins por meio de carteiras com QR code licenciadas pelo governo. A nova licença de criptomoedas para varejo de Hong Kong permite que exchanges ofereçam links de pagamento direto aos comerciantes, permitindo que clientes paguem por compras com Bitcoin ou stablecoins, enquanto os varejistas recebem moeda fiduciária — sem risco de volatilidade. Empresas de pagamento em Cingapura estão lançando carteiras que suportam tanto CBDC quanto stablecoins privadas, oferecendo aos usuários um único aplicativo para múltiplas moedas digitais. O sandbox regulatório da Índia gerou alguns aplicativos piloto para pagamentos de e-commerce e contas de serviços públicos usando sua CBDC, com planos para incluir stablecoins ainda este ano.
O próximo marco provavelmente será a primeira transação transfronteiriça ao vivo com stablecoins entre duas dessas jurisdições — algo em que os reguladores estão trabalhando discretamente. Autoridades de Cingapura e Hong Kong já realizaram discussões conjuntas sobre interoperabilidade, e o banco central da Coreia do Sul expressou interesse em conectar sua CBDC às infraestruturas de stablecoins. O corredor de remessas entre Índia e Cingapura já é um candidato. Por enquanto, esses quatro países não estão apenas discutindo a adoção — estão construindo a infraestrutura que permite que as pessoas usem criptomoedas para pagar por coisas de verdade. O restante da Ásia observa para ver qual modelo se expandirá.




