A Western Union lançou o USDPT, uma stablecoin lastreada em dólar americano na blockchain Solana. É a primeira incursão direta da empresa em pagamentos baseados em blockchain. O token, emitido pelo banco cripto regulado federalmente Anchorage Digital, está disponível hoje na Bolívia e nas Filipinas — dois mercados com grande volume de remessas que juntos alcançam 130 milhões de pessoas.
O token e a infraestrutura
O USDPT opera na Solana, escolhida por suas taxas baixas e liquidação rápida. A Fireblocks gerencia a infraestrutura de carteiras e a camada de liquidação. A Anchorage Digital, que é um banco com carta dos EUA, emite o token e mantém as reservas em dólar que o lastreiam. A Western Union não está construindo sua própria blockchain — está se conectando a uma infraestrutura existente que já atende aos padrões regulatórios.
A stablecoin é destinada a transferências transfronteiriças. Usuários na Bolívia e nas Filipinas podem enviar e receber USDPT por meio da rede existente da Western Union, com planos de expansão para mais de 40 países até o final de 2026.
Por que Solana e stablecoins agora
O momento coincide com uma mudança regulatória. O GENIUS Act dos EUA, aprovado em julho de 2025, criou um quadro federal claro para stablecoins. Essa clareza facilitou o avanço de players regulados como a Western Union e a Anchorage Digital. A capitalização de mercado de stablecoins está em US$ 317 bilhões hoje, e tanto o Tesouro dos EUA quanto o Citigroup projetam que pode ultrapassar US$ 2 trilhões até 2030. A Western Union quer uma fatia desse crescimento antes que o campo fique ainda mais concorrido.
Corredores de remessas em jogo
Somente o mercado de remessas das Américas vale US$ 174 bilhões. A América Latina tem alguns dos corredores de maior custo para enviar dinheiro para casa — lugares onde as stablecoins podem subcotar as taxas tradicionais de transferência. Bolívia e Filipinas são apenas o começo. A rede global de agentes da Western Union oferece uma vantagem de distribuição que as carteiras puramente cripto não têm: as pessoas podem sacar USDPT em locais físicos.
Isso é importante em mercados onde o acesso bancário é baixo, mas a penetração móvel é alta. As Filipinas recebem mais de US$ 40 bilhões em remessas anualmente. Os fluxos de entrada da Bolívia têm crescido à medida que sua diáspora se expande.
Um campo concorrido, mas em crescimento
A Western Union não é a primeira a ter a ideia de stablecoin para remessas. A MoneyGram começou a oferecer serviços com USDC na Colômbia em setembro de 2025. A Zelle anunciou planos para transferências transfronteiriças com stablecoins em outubro do mesmo ano. Mas a escala da Western Union — dezenas de milhares de agências globalmente — pode dar ao USDPT um alcance no mundo real que as soluções exclusivamente de aplicativos ainda não alcançaram.
A Western Union planeja expandir o USDPT para mais de 40 países até o final do ano. Se o token conseguirá ganhar tração em corredores onde o dinheiro ainda domina continua sendo uma pergunta em aberto.




