A eleição presidencial do Brasil vai para um segundo turno em 25 de outubro depois que o candidato de direita Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno, mas não alcançou a maioria absoluta. Nenhum candidato obteve mais de 50% dos votos, acionando um segundo turno de acordo com as regras eleitorais brasileiras.
O resultado coloca Bolsonaro ao alcance da presidência e adiciona uma camada de incerteza política à maior economia da América Latina — e ao seu mercado cripto, que está entre os maiores do mundo em uso de stablecoins.
Por que o mercado cripto não está em pânico
O Bitcoin está sendo negociado em torno de US$ 86.402, com valor de mercado de US$ 1,74 trilhão, com alta modesta no último dia e na semana. O sentimento está em território de ganância e o domínio do BTC permanece alto, o que significa que as altcoins estão com desempenho inferior enquanto o capital se concentra no maior ativo. Esse cenário é o motivo pelo qual o segundo turno brasileiro provavelmente não moverá muito os preços globais das criptomoedas por si só. A volatilidade local nos pares BTC/BRL é o efeito mais realista no curto prazo.
📊 Resumo dos Dados de Mercado
Os sinais de volume estão baixos em todos os aspectos. Isso corta dos dois lados: limita a desvantagem se a situação política permanecer calma, mas também significa que qualquer pico súbito na demanda brasileira por dólares ou BTC pode mexer mais do que o normal nos pares locais.
A questão da CBDC que ninguém está perguntando
O ângulo que está se perdendo na cobertura é o Drex, o piloto do real digital do banco central baseado no Pix. A coalizão de Flávio Bolsonaro historicamente se opôs à agenda agressiva de CBDC do Banco Central do Brasil, incluindo preocupações com privacidade em torno do design do Drex. Uma vitória de Bolsonaro em 25 de outubro provavelmente estagnaria ou desfinanciaria a implementação — removendo um concorrente apoiado pelo Estado para stablecoins privadas e Bitcoin em um país com mais de 200 milhões de pessoas.
Isso importa além das fronteiras do Brasil. Se o Drex desacelerar, o vácuo regulatório favorece tokens atrelados ao dólar e criptomoedas descentralizadas em um mercado que já depende fortemente de stablecoins para poupança e remessas. Os traders obcecados com política fiscal e fluxos de ETF estão perdendo que o segundo turno é efetivamente um referendo sobre o real digital.
Stablecoins, não apenas Bitcoin
O mercado cripto brasileiro é um dos maiores do mundo em uso de stablecoins. A incerteza política tende a impulsionar a demanda por ativos atrelados ao dólar mais do que por criptomoedas voláteis, então um segundo turno contestado pode acelerar a adoção de USDT e USDC como hedge — não necessariamente uma corrida para o BTC. Isso apareceria nos volumes das exchanges e nos fluxos de stablecoins, não no gráfico do Bitcoin.
Também vale notar que esta eleição ocorre em 2026, o mesmo ano da próxima corrida presidencial dos EUA e do ciclo pós-halving. Uma crise política brasileira sobreposta a esses eventos macroeconômicos poderia intensificar movimentos de aversão ao risco em todo o mercado cripto de maneiras que tratar a eleição isoladamente deixaria passar.
O que observar antes de 25 de outubro
Duas coisas importam mais. Primeiro, se a campanha do segundo turno sinaliza algo sobre a posição do próximo governo em relação à regulação de criptomoedas e controles de capital — o Brasil tem um histórico de impor controles sob governos de esquerda, o que historicamente impulsiona a demanda por criptomoedas como ferramenta de fuga de capital. Segundo, quaisquer sinais de política do Banco Central do Brasil sobre o cronograma do Drex, já que uma vitória de Bolsonaro provavelmente o redefiniria.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até então, espere que os volumes das exchanges brasileiras e os pares BTC/BRL sejam o primeiro lugar onde qualquer risco político apareça. Os mercados globais provavelmente não se importarão a menos que a situação se agrave.




