O movimento Houthi do Iêmen impôs uma proibição a embarcações ligadas a Israel que transitam pelo Mar Vermelho e lançou ataques a navios no Golfo de Aden, gerando temores de uma grande interrupção nas rotas globais de abastecimento de petróleo. As ações, que marcam uma escalada significativa na campanha do grupo contra Israel e seus aliados, já fizeram os preços do petróleo dispararem, à medida que os traders precificam o risco de um bloqueio prolongado.
Por que a proibição foi imposta
Os Houthis, que controlam grandes partes do Iêmen, incluindo a capital Sanaa, afirmaram que a proibição tem como alvo navios de propriedade ou operados por empresas israelenses ou que transportam mercadorias israelenses. O grupo vem disparando mísseis e drones contra embarcações na região há semanas, mas a proibição formal e os ataques no Golfo de Aden representam uma nova fase. O Golfo de Aden é um ponto de estrangulamento crítico para petroleiros que se dirigem ao Canal de Suez ou dele saem, e qualquer interrupção sustentada ali pode forçar os navios a rotas mais longas e caras ao redor da África.
Impacto nos mercados de petróleo
Os preços do petróleo subiram com a notícia, com o barril de Brent, referência internacional, avançando mais de 3% nas primeiras negociações. A alta reflete a preocupação do mercado de que os Houthis possam efetivamente fechar o estreito de Bab el-Mandeb, a passagem estreita entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden. Cerca de 10% do comércio global de petróleo por via marítima passa por esse estreito. Se os petroleiros forem forçados a se desviar, as cadeias de suprimentos se alongarão e os custos aumentarão. Os Houthis mostraram que podem atacar com precisão: nas últimas semanas, atingiram um petroleiro e um navio de carga, e ameaçaram alvejar qualquer embarcação que considerem ligada a Israel.
Quem é afetado
A proibição e os ataques não afetam apenas o transporte marítimo israelense. As seguradoras já estão aumentando os prêmios para embarcações que transitam pela região, e algumas empresas de navegação estão considerando evitar completamente a área. Isso pode elevar as taxas de frete para todos. Os EUA e seus aliados têm forças navais na região, mas os Houthis se mostraram resilientes a ataques aéreos e defesas antimísseis. O arsenal do grupo inclui mísseis balísticos antinavio e drones difíceis de interceptar.
O que acontece a seguir
Os Houthis disseram que continuarão os ataques até que Israel pare suas operações militares em Gaza. Essa é uma condição que Israel rejeitou. Por enquanto, a questão imediata é se a coalizão naval liderada pelos EUA conseguirá garantir as rotas de navegação ou se os Houthis forçarão um desvio permanente do tráfego de petróleo. A resposta determinará o quão altos os preços do petróleo subirão e por quanto tempo a interrupção durará.




