O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) acusou o fundador do Telegram, Pavel Durov, de facilitar atividade terrorista e emitiu um mandado internacional de prisão. O FSB alega que o Telegram não removeu conteúdo usado por serviços de inteligência ucranianos, organizações terroristas e extremistas para coordenar sabotagem, assassinatos em massa, fraudes cibernéticas e outros ataques contra a Rússia. Durov, que também enfrenta acusações criminais separadas na França, negou qualquer irregularidade. Seu paradeiro atual é desconhecido, segundo a Reuters.
As alegações do FSB
O caso do FSB gira em torno do papel do Telegram como plataforma para o que Moscou chama de coordenação terrorista. A agência afirma que grupos ligados à Ucrânia usaram o aplicativo de mensagens para planejar e executar ataques dentro da Rússia. O Telegram, que tem mais de um bilhão de usuários em todo o mundo, é amplamente utilizado em ambos os lados da guerra Rússia-Ucrânia — pelas forças ucranianas e por órgãos estatais russos, incluindo o Kremlin e o ministério da defesa. As acusações do FSB parecem ser a mais recente escalada em uma longa disputa entre o Estado russo e o fundador da plataforma.
Um histórico de tensões
A Rússia tentou repetidamente restringir o Telegram e direcionar os usuários para o serviço apoiado pelo Estado, MAX. Mas esses esforços tiveram sucesso limitado. Mesmo enquanto o FSB prosseguia com ações legais, agências governamentais russas continuaram usando o Telegram para comunicação oficial. No início deste ano, Durov estava supostamente sob investigação em um caso relacionado a terrorismo; uma intimação foi entregue a um apartamento onde ele morou há mais de 20 anos. Durov respondeu que estava sendo alvo por defender as proteções constitucionais para liberdade de expressão e correspondência privada.
Frentes legais paralelas
Durov foi preso na França há cerca de dois anos como parte de uma investigação sobre a falha do Telegram em impedir a atividade criminosa e cooperar com as autoridades. As autoridades francesas o acusaram de cumplicidade em fraude organizada, lavagem de dinheiro, venda de narcóticos, distribuição de material de abuso sexual infantil e disponibilização de ferramentas de hacking sem declaração. Durov possui cidadania francesa e emiradense e sempre negou todas as alegações. O novo mandado russo adiciona outra camada de risco legal, embora não esteja claro como ou se os dois casos se cruzam.
A localização atual de Durov não é publicamente conhecida. O mandado de prisão internacional do FSB significa que, se ele viajar para um país que extradite para a Rússia, poderá ser detido. Mas, dado seu passaporte francês e a natureza política das acusações, a execução permanece incerta.




