A Proof of Talk 2026 encerrou na semana passada no Palais du Louvre, reunindo 2.500 tomadores de decisão sênior de ativos digitais, finanças tradicionais e IA. A conferência de dois dias gerou uma enxurrada de acordos concretos e prazos — entre eles, uma parceria entre Franklin Templeton e MoonPay para ampliar o acesso a produtos financeiros tokenizados, e uma data firme de lançamento no 4º trimestre de 2026 para o projeto de commercial paper Pythagore, da Euroclear.
Franklin Templeton e MoonPay unem forças
A CEO da Franklin Templeton, Jenny Johnson, confirmou a parceria ao vivo do palco. O acordo visa levar fundos tokenizados para além dos muros institucionais — unindo uma gestora de ativos de US$ 1,5 trilhão com a infraestrutura voltada ao varejo da MoonPay. Nenhuma das partes divulgou produtos ou prazos específicos, mas Johnson enquadrou a medida como uma resposta à crescente demanda por opções de investimento on-chain.
Números da tokenização continuam subindo
Ronit Ghose, chefe global de Futuro das Finanças do Citi, apresentou o relatório GPS Tokenization 2030 do banco durante a conferência. O documento estima o mercado global de investimentos tokenizados em US$ 17 bilhões — um número que atraiu a atenção tanto de reguladores quanto de custodiantes tradicionais. A Euroclear complementou com um cronograma: seu projeto Pythagore, que mira o mercado europeu de commercial paper de € 300 bilhões, está programado para entrar em operação no 4º trimestre de 2026. Essa é uma data firme para um dos maiores pilotos de tokenização nos mercados europeus.
Custódia institucional ganha uma venda — e uma ferramenta de compliance
A venda da Zodia Custody para uma entidade de finanças tradicionais — o CEO Julian Sawyer confirmou o acordo na Proof of Talk — foi saudada como um marco para a custódia institucional de criptomoedas. O nome do comprador não foi divulgado no evento, mas Sawyer descreveu a movimentação como uma validação de que a custódia de criptomoedas agora é mainstream. Separadamente, a Ampersend lançou uma triagem de compliance em tempo real antes da liquidação, alimentada pela TRM Labs. A ferramenta permite que contrapartes institucionais verifiquem carteiras em busca de sanções ou atividades ilícitas antes da liquidação de uma negociação, reduzindo o risco de reversão.
IA, stablecoins e uma competição de pitches
A conferência também se aprofundou em IA descentralizada. Os cofundadores da Bittensor, Ala Shaabana e Jacob Steeves, participaram de discussões sobre como a computação descentralizada e modelos de IA podem se cruzar com os mercados de criptomoedas. Uma Mesa Redonda sobre Stablecoins separada reuniu 50 executivos da Aave, do Banco da Inglaterra, da BlackRock, da Paxos e da Robinhood para debater padrões de liquidez e interoperabilidade. Nenhuma política ou acordo concreto saiu dela, mas a mistura de nomes de bancos centrais e do setor privado sinaliza seriedade. Naquela noite, a cerimônia BeInCrypto Institutional 100 Awards 2026 reconheceu os principais players. E a competição de crowdfunding ao vivo Proof of Pitch nomeou dois vencedores: ReplyCorp (Jordan Feinstein) e Parthenon (Lindsey Girkin). Ambos saíram com compromissos de financiamento, embora esses valores não tenham sido anunciados.
Com o marco do 4º trimestre da Euroclear agora público e instituições como o Citi colocando números de US$ 17 bilhões na mesa, a tokenização está passando da fase piloto para a implantação. O próximo marco concreto: o lançamento do commercial paper Pythagore, esperado antes do final do ano.




