A fintech nigeriana Paga está mergulhando de cabeça na infraestrutura de criptomoedas. A empresa anunciou uma parceria com o blockchain Sui em 7 de maio no evento Sui Live em Lagos. É o maior avanço da empresa em ativos digitais até o momento — e vai muito além de pagamentos simples.
O que o acordo abrange
A Paga, que há muito tempo opera como uma plataforma de dinheiro móvel e pagamentos em toda a África, integrará o blockchain Sui em sua infraestrutura existente. O objetivo: permitir que os usuários acessem títulos tokenizados e imóveis por meio do aplicativo Paga. Essa é uma grande mudança para uma empresa conhecida por transferências peer-to-peer e pagamentos de contas.
A parceria foi revelada durante uma palestra principal no Sui Live, uma conferência focada no ecossistema do blockchain. A Paga não forneceu uma data específica de lançamento para os novos produtos tokenizados, mas afirmou que a integração já está em andamento.
Por que títulos tokenizados e imóveis
A tokenização permite transformar ativos físicos — como um título ou um imóvel — em tokens digitais em um blockchain. Para os clientes da Paga, muitos dos quais são não bancarizados ou sub-bancarizados, isso poderia significar acesso a produtos de investimento que antes estavam fora de alcance. O mercado imobiliário na Nigéria é notoriamente ilíquido; a propriedade tokenizada poderia mudar isso.
A Paga não informou quais títulos ou propriedades específicas tokenizará primeiro. No entanto, o CEO da empresa, Tayo Oviosu, já havia mencionado anteriormente o uso do blockchain para democratizar o acesso a ferramentas de construção de riqueza. Esse acordo lhe dá a tecnologia necessária para fazê-lo.
Contexto e cronologia
A iniciativa ocorre enquanto fintechs africanas cada vez mais se voltam para as criptomoedas. A Nigéria já é um dos maiores mercados mundiais para negociação de criptomoedas peer-to-peer, apesar da incerteza regulatória do banco central. A aposta da Paga no Sui sugere que ela enxerga um futuro em que ativos tokenizados regulamentados — e não apenas moedas voláteis — impulsionem a adoção.
Por sua vez, o Sui tem se expandido para mercados emergentes. O blockchain, desenvolvido por engenheiros ex-Meta, foca em alto throughput e taxas baixas. Esse é um ponto forte para uma plataforma como a Paga, que processa milhões de transações por mês.
O que ainda é incerto é como os reguladores nigerianos tratarão os imóveis e títulos tokenizados. A Comissão de Valores Mobiliários está elaborando regras para ativos digitais, mas nada está finalizado ainda. A parceria da Paga a coloca à frente da curva regulatória — se as regras acabarem sendo favoráveis.




