A Strategy (antiga MicroStrategy) resgatou esta semana US$ 1,5 bilhão em valor principal agregado de suas Notas Seniores Conversíveis com 0% de juros com vencimento em 2029, pagando cerca de US$ 1,38 bilhão em dinheiro — um desconto de 8% que economizou à empresa aproximadamente US$ 120 milhões. A movimentação reduziu o total de obrigações de notas conversíveis de US$ 8,2 bilhões para US$ 6,7 bilhões. Ao mesmo tempo, a empresa emitiu US$ 2,0 bilhões em Ações Preferenciais Perpétuas Flexíveis Série A de Taxa Variável (ticker: STRC) e US$ 84 milhões em ações ordinárias Classe A por meio de seus programas de oferta no mercado, usando os recursos para comprar mais 24.869 bitcoins.
Como funcionou a recompra
A Strategy recomprou as notas a 92 centavos de dólar. A economia de US$ 120 milhões é real — é dinheiro que não precisará ser reembolsado no vencimento. Após a recompra, a reserva de caixa da empresa caiu para US$ 871 milhões.
Apenas com a recompra dos títulos, a Strategy registrou um Ganho em BTC de 4.391 bitcoins e um Ganho em Dólar BTC de US$ 333 milhões em 22 de maio de 2026. Essas são métricas internas que a empresa usa para acompanhar como suas participações em bitcoin por ação melhoram quando ela retira dívida barata.
De onde veio o dinheiro
Para financiar a recompra e manter o ritmo de compra de bitcoins, a Strategy utilizou dois canais de patrimônio líquido. O maior: US$ 2,0 bilhões em valor nocional de ações preferenciais perpétuas STRC, um novo instrumento que a empresa introduziu no início deste ano. O menor: US$ 84 milhões de seus programas de oferta de ações ordinárias no mercado.
A emissão de STRC é notável — é uma ação perpétua de taxa variável, sem vencimento fixo e com dividendo ajustável. Isso dá à Strategy flexibilidade para levantar capital sem diluir tanto os acionistas ordinários quanto uma oferta direta de ações faria. Os recursos também financiaram a compra de 24.869 bitcoins. A Strategy agora possui 843.738 BTC, adquiridos a um preço médio de US$ 75.700 por moeda — um desembolso total de aproximadamente US$ 63,9 bilhões.
A matemática do bitcoin
A Strategy acompanha uma métrica chamada Rendimento em BTC, que mede a variação percentual em suas participações de bitcoin por ação totalmente diluída. No acumulado do ano, esse rendimento está em 13,3%. A empresa adicionou 89.378 BTC no ano até agora, com um Ganho em Dólar BTC de US$ 6,8 bilhões.
Esses números são separados da perda contábil que a empresa reportou no primeiro trimestre de 2026 — um prejuízo de US$ 12,5 bilhões impulsionado principalmente por reduções não realizadas no valor do bitcoin sob novas regras de valor justo. Essa perda é contábil, não em dinheiro, mas é um lembrete de quão volátil o balanço patrimonial pode parecer trimestre a trimestre.
O manual da Strategy
O CEO Phong Le lembrou a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, onde a Strategy disse aos investidores que trataria todas as ferramentas de capital — caixa, patrimônio líquido e vendas seletivas de bitcoin — como alavancas para gerenciar a dívida conversível. As movimentações desta semana se encaixam nesse padrão: emitir ações, comprar bitcoin e retirar dívida barata com desconto.
As ações da MSTR subiram 1,9% nas negociações de pré-mercado na terça-feira, acompanhando a modesta recuperação do bitcoin para a faixa dos US$ 77.000. O mercado parece estar precificando a redução da carga de dívida e o acúmulo contínuo, mesmo que a reserva de caixa esteja agora mais enxuta.
O que vem a seguir? O saldo de caixa da Strategy caiu para US$ 871 milhões, mas a empresa ainda tem espaço para emitir mais STRC ou ações ordinárias. O bloco de notas conversíveis está US$ 1,5 bilhão mais leve. Por enquanto, o manual permanece o mesmo: levantar capital, comprar bitcoin e reduzir a dívida quando o preço estiver certo.




