O Fundo Fiduciário da Família Trump comprou ações da Coinbase, MARA Holdings e Strategy (antiga MicroStrategy) durante o primeiro trimestre de 2026, de acordo com uma declaração financeira protocolada esta semana no Escritório de Ética Governamental dos EUA. O documento abrange mais de 3.600 transações entre janeiro e março, com valor total estimado entre US$ 220 milhões e US$ 750 milhões. Na mesma semana, o Comitê Bancário do Senado aprovou a Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais por 15 votos a 9, abrindo caminho para o plenário do Senado.
O que a declaração mostra
O fundo reportou nove compras de ações da Coinbase. A maior transação individual da Coinbase ocorreu em 10 de fevereiro e foi avaliada entre US$ 100.001 e US$ 250.000. Também registrou duas compras menores da MARA Holdings, uma grande mineradora pública de bitcoin. A Strategy teve oito transações — tanto compras quanto vendas. A maior compra da Strategy ficou entre US$ 50.001 e US$ 100.000, enquanto uma venda em janeiro chegou a US$ 50.000.
A carteira também inclui posições na Robinhood, SoFi Technologies e Block — todas empresas ligadas a criptomoedas ou fintechs. Ainda assim, as negociações com criptomoedas representam uma pequena fatia do fundo maior, que tem forte peso em Nvidia, Microsoft, Apple, Amazon e Boeing. A declaração não informa se Trump direcionou alguma das negociações. Seus ativos estão em um fundo fiduciário familiar administrado por seus filhos e corretores externos.
Votação do comitê do Senado sobre projeto de lei de criptomoedas
A Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais foi aprovada no Comitê Bancário do Senado por 15 votos a 9, com apoio bipartidário. O projeto visa estabelecer regras federais para os mercados de ativos digitais. Elizabeth Warren e vários outros democratas votaram contra, citando preocupações com proteção ao consumidor, finanças ilícitas e questões éticas ligadas às participações de Trump em criptomoedas.
O momento não é favorável para o grupo de Warren. A declaração do fundo Trump foi divulgada pouco antes da votação no comitê, dando munição fresca aos críticos. Mas os patrocinadores do projeto argumentam que a legislação traria a supervisão tão necessária a um mercado que ainda opera em uma zona cinzenta regulatória.
O que acontece a seguir
A aprovação no comitê envia a Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais para o plenário do Senado, onde seu destino é incerto. Nenhuma data foi definida para o debate. Enquanto isso, as apostas do fundo Trump em criptomoedas — mesmo que pequenas — mantêm o foco em como as finanças da família do ex-presidente se entrelaçam com o setor que ele abraçou publicamente.




