A Lei CLARITY, um projeto de 616 páginas que dividiria a supervisão de criptomoedas entre a SEC e a CFTC, segue para o plenário do Senado na próxima semana — mas está aquém dos 60 votos necessários, e a oposição cresce tanto entre democratas quanto entre grupos bancários. Sete senadores democratas afirmaram que o texto revisado ainda é insuficiente em proteção ao consumidor, finanças ilícitas e integridade do mercado. A senadora Angela Alsobrooks disse que se oporá a menos que as regras de ética sejam fortalecidas, defendendo que procuradores-gerais estaduais tenham poder de fiscalização. A senadora Elizabeth Warren classificou o projeto como 'morto na chegada', argumentando que ele não faz nada para impedir o presidente Trump de ganhar US$ 1,4 bilhão com criptomoedas.
Regras de ética sob ataque
O projeto inclui novas regras de ética que proíbem autoridades públicas — o presidente, o vice-presidente, parlamentares e seus cônjuges — de emitir ou patrocinar um ativo digital em troca de contrapartida. Essa proibição vigora até 20 de janeiro de 2029. Mas Alsobrooks não está satisfeita. Ela criticou a dependência exclusiva do Departamento de Justiça para a aplicação da lei e quer que os procuradores-gerais estaduais tenham seu próprio poder para processar infratores. O momento não é bom para a liderança: o Líder da Maioria, John Thune, planeja levar o projeto ao plenário na próxima semana, antes do recesso de agosto, e precisa de todos os votos que conseguir.
Grupos bancários se manifestam
Seis grupos de lobby bancário, liderados pela American Bankers Association, divulgaram uma declaração conjunta expressando preocupação de que o projeto prejudique os bancos comunitários. Eles afirmaram que a legislação 'cria um regime regulatório federal que prejudicaria os bancos comunitários e colocaria em risco o crédito local'. Não especificaram exatamente como, mas a preocupação geral é que o novo arcabouço federal possa sufocar os bancos menores com custos de conformidade. Isso representa mais uma dor de cabeça para Thune, que já enfrenta a deserção de democratas.
O ataque de Warren
Elizabeth Warren não poupou críticas. Ela afirmou que o projeto não faz nada para impedir o presidente Trump de ganhar US$ 1,4 bilhão com criptomoedas e o declarou 'morto na chegada'. Sua crítica ecoa a dos sete senadores democratas que disseram que o texto revisado ainda é insuficiente em proteção ao consumidor, finanças ilícitas e integridade do mercado. O grupo inclui Catherine Cortez Masto, Angela Alsobrooks, Cory Booker, Ruben Gallego, John Hickenlooper, Mark Warner e Raphael Warnock.
Thune tentará obter 60 votos na próxima semana. Se não conseguir, o projeto provavelmente estacionará até depois do recesso de agosto — ou por mais tempo. A questão em aberto é se algum dos sete democratas pode ser conquistado com uma linguagem ética mais forte, ou se as preocupações dos grupos bancários farão com que o apoio republicano se desgaste. A votação em plenário dirá.



