Uma empresa de pagamentos e criptomoedas da Letónia acaba de alcançar um feito regulatório inédito. A Paybis anunciou esta semana que se tornou a primeira empresa no país a deter tanto a licença MiCA — o quadro regulatório da União Europeia para criptoativos — quanto a licença da Diretiva de Serviços de Pagamento 2 (PSD2). Esta dupla aprovação permite efetivamente que a empresa ofereça serviços regulados de conversão entre criptomoedas e moeda fiduciária, bem como infraestrutura para stablecoins em todo o bloco, sem necessidade de aprovações separadas em cada Estado-Membro.
O que as duas licenças abrangem
A MiCA, que entrou em pleno vigor em 2025, regula a emissão, negociação e custódia de criptoativos na UE. Com a licença MiCA, a Paybis pode operar legalmente uma exchange de criptomoedas, carteira digital e serviços de custódia em todos os 27 Estados-Membros com um único passaporte. Já a PSD2 é o quadro da UE para serviços de pagamento — funções bancárias como emissão de contas IBAN, processamento de transferências SEPA e gestão de transações em moeda fiduciária. Juntas, as duas licenças preenchem a lacuna entre as finanças tradicionais e as criptomoedas, permitindo que a Paybis atue como balcão único tanto para euros quanto para ativos digitais sob o mesmo guarda-chuva regulatório.
Por que ser o "primeiro na Letónia" é relevante
A Letónia não costuma ser o primeiro país que vem à mente na regulação de criptomoedas na UE. No entanto, o regulador financeiro do país báltico, o Banco da Letónia, vem construindo discretamente uma reputação de licenciamento rigoroso, mas eficiente. Ao conceder tanto a MiCA quanto a PSD2 a uma única entidade, o regulador sinaliza que está aberto a modelos integrados de fintech. Para a Paybis, o momento é interessante: a empresa opera desde 2014, principalmente como porta de entrada para conversão de moeda fiduciária em criptomoedas, mas a dupla licença permite que ela migre para infraestrutura de stablecoins — um mercado que está se aquecendo à medida que os reguladores da UE esclarecem as regras para tokens de moeda eletrónica e tokens referenciados a ativos no âmbito da MiCA.
O ângulo da infraestrutura de stablecoins
Stablecoins exigem mais do que apenas uma licença de criptomoedas. Os emissores precisam gerir reservas, processar resgates e realizar pagamentos em moeda fiduciária. É aí que entra a PSD2. Com uma licença de pagamento, a Paybis pode oferecer contas IBAN para usuários de stablecoins, facilitar transferências em euros e potencialmente atuar como camada de liquidação para transações com stablecoins. A empresa ainda não divulgou parceiros específicos de stablecoins nem datas de lançamento, mas a base regulatória já está estabelecida.
O que vem a seguir
A Paybis agora planeia expandir os seus serviços regulados por toda a UE, embora não tenha anunciado um cronograma. A empresa terá de lidar com as questões práticas do passaporte da licença PSD2 para outros Estados-Membros e garantir conformidade com as implementações específicas da MiCA em cada país. Para outras empresas de criptomoedas na Letónia e na região, este caminho de duplo licenciamento pode tornar-se um modelo — desde que o Banco da Letónia esteja disposto a repetir o processo.




