O ministro da Desregulamentação da Argentina, Federico Sturzenegger, apresentou um novo projeto de lei com o objetivo de reformular as regras do mercado de capitais do país. A proposta permitiria que fundos de investimento aplicassem recursos em ativos digitais e que empresas emitissem títulos usando tecnologia descentralizada. Também busca dar plena validade legal aos contratos inteligentes.
O que o projeto mudaria
A legislação tem como alvo o que o ministro chamou de regulamentações nacionais de mercado ultrapassadas. No quadro atual, os fundos de investimento estão amplamente restritos a ativos tradicionais, como ações e títulos. A nova lei abriria as portas para ativos digitais, incluindo criptomoedas e títulos tokenizados. Também permitiria a emissão de títulos por meio de plataformas descentralizadas, afastando-se de corretoras e câmaras de compensação centralizadas.
Sturzenegger afirmou que as mudanças visam modernizar o sistema financeiro argentino e torná-lo mais competitivo. O projeto não especifica quais ativos digitais seriam elegíveis, deixando essa definição para futuras decisões regulatórias.
Contratos inteligentes ganham status legal
Outro ponto-chave da proposta é o reconhecimento legal dos contratos inteligentes. São contratos autoexecutáveis com termos escritos diretamente em código. Pela nova lei, eles teriam o mesmo efeito vinculante que os contratos tradicionais em papel. Isso poderia reduzir a necessidade de intermediários e acelerar transações em áreas como imobiliário, seguros e finanças da cadeia de suprimentos.
O projeto não define os padrões técnicos para contratos inteligentes, mas estabelece um arcabouço legal para seu uso. Os tribunais os tratariam como acordos válidos se atenderem aos requisitos básicos do direito contratual.
Por que agora?
A Argentina enfrenta há anos alta inflação e uma moeda volátil. O governo já tomou medidas para incentivar a adoção de ativos digitais, incluindo uma lei de 2022 que permitiu que bancos oferecessem serviços com criptomoedas. Esta nova proposta vai além, integrando ativos digitais à estrutura mais ampla do mercado de capitais.
O gabinete de Sturzenegger afirmou que as regras atuais foram escritas antes da existência da tecnologia blockchain e precisam ser atualizadas. O projeto faz parte de um movimento mais amplo de desregulamentação sob o presidente Javier Milei, que prometeu reduzir o controle estatal sobre a economia.
A proposta segue agora para o Congresso, onde enfrentará debate. Seu destino é incerto, mas o governo a tornou uma prioridade.



