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Oferta de £60 milhões do Tottenham por Savinho mostra que o futebol ainda ignora as criptomoedas

Oferta de £60 milhões do Tottenham por Savinho mostra que o futebol ainda ignora as criptomoedas

O Tottenham Hotspur está perto de contratar o ponta brasileiro Savinho, do Manchester City, por £60 milhões — e a transação está sendo feita por meio de canais bancários tradicionais, não por trilhas de criptomoedas. O movimento mostra o quanto a indústria cripto ainda precisa avançar para conquistar o maior mercado de transferências do futebol, mesmo com empresas de blockchain investindo milhões em patrocínios de camisas e fan tokens.

Por que esta transferência é importante

A investida por Savinho é o mais recente lembrete de que, quando o dinheiro de verdade circula entre clubes da Premier League, ele ainda se move via transferências bancárias e contas de garantia. Defensores das criptomoedas argumentam há anos que pagamentos baseados em blockchain poderiam tornar as negociações internacionais mais rápidas, baratas e transparentes. Mas os próprios dados do setor contam outra história: nenhum clube inglês de primeira linha jamais liquidou uma transferência de nove dígitos usando stablecoins ou cripto, e a oferta de £60 milhões por Savinho não será a primeira.

Tottenham e Manchester City têm vínculos comerciais com empresas de cripto — o Spurs assinou uma parceria plurianual com uma plataforma blockchain em 2023, e o City tem um acordo de patrocínio de manga com uma exchange de criptomoedas. No entanto, essas relações ficaram restritas ao marketing e ao engajamento de torcedores, não ao departamento financeiro.

O que a indústria cripto tentou

Nos últimos três anos, várias empresas de pagamento nativas do cripto apresentaram propostas a clubes de futebol para usar USDC ou USDT em taxas de transferência. Os argumentos são diretos: liquidação em minutos em vez de dias, menores taxas de intermediários e um registro imutável na blockchain. Alguns clubes de divisões inferiores e da América do Sul experimentaram o modelo, mas os principais times da Premier League hesitaram. As equipes de compliance se preocupam com risco de contraparte, volatilidade (mesmo com stablecoins) e a falta de um marco regulatório claro no Reino Unido para transferências cripto de alto valor entre entidades reguladas.

O negócio de Savinho também é um teste da disposição do Manchester City em aceitar cripto — e até agora, a resposta é não. O departamento financeiro do City, como a maioria na Premier League, ainda exige liquidação em moeda fiduciária para vendas de jogadores.

A lenta curva de adoção do futebol

Não é que o futebol odeie cripto. A indústria tem sido uma das patrocinadoras mais agressivas do esporte mundial. Crypto.com, Socios e OKX já compraram direitos de nome de estádios ou patches de camisa. Fan tokens geraram milhões para clubes como Juventus e Paris Saint-Germain. Mas esses são produtos voltados ao consumidor. A parte administrativa — como os clubes realmente pagam uns aos outros — mal mudou.

Parte do problema é a confiança. Um diretor financeiro da Premier League disse em uma conferência no ano passado que os clubes veem pagamentos com cripto como "uma solução em busca de um problema", já que a infraestrutura bancária existente funciona bem para negócios domésticos. As transferências internacionais, onde o cripto poderia agregar valor, ainda são raras demais para que os clubes sintam pressão para mudar.

O que vem a seguir

Espera-se que o Tottenham formalize sua oferta de £60 milhões por Savinho nos próximos dias. Se aceita, a negociação será concluída por meio de transferências bancárias tradicionais, provavelmente com um cronograma de pagamento parcelado ao longo de vários anos. A indústria cripto observará — e esperará pelo dia em que um grande clube realmente use trilhas de blockchain para uma transferência de peso. Esse dia ainda não chegou.