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CME e NYSE pressionam CFTC a investigar Hyperliquid por riscos de liquidez do USDC

CME e NYSE pressionam CFTC a investigar Hyperliquid por riscos de liquidez do USDC

Dois dos maiores nomes das finanças tradicionais — o CME Group e a New York Stock Exchange — levaram sua luta contra uma plataforma de derivativos cripto em rápido crescimento aos reguladores dos EUA. Ambas as empresas têm feito lobby junto à Commodity Futures Trading Commission para que tome medidas contra a Hyperliquid, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A principal preocupação? Os riscos de liquidez representados pelo USDC, a stablecoin que sustenta grande parte da atividade de negociação da Hyperliquid.

A pressão de lobby nos bastidores

CME e NYSE não são estranhas à CFTC. Ambas são entidades regulamentadas com laços profundos com a agência. Mas sua recente abordagem sobre a Hyperliquid sinaliza algo além do debate político de rotina. As bolsas argumentaram que o modelo da Hyperliquid — uma exchange descentralizada que depende do USDC para margem e liquidação — cria vulnerabilidades ocultas. Se ocorresse uma corrida repentina ao USDC, alertaram, os efeitos em cascata poderiam se espalhar pelos mercados que a CFTC supervisiona.

A campanha de lobby não é pública. Nenhuma queixa formal foi apresentada. Mas a pressão é real e visa diretamente uma plataforma que atraiu bilhões em volume de negociação, afastando-os de rivais centralizados.

Por que a liquidez do USDC é o ponto crítico

No centro da questão está o USDC, a segunda maior stablecoin por capitalização de mercado. A Hyperliquid o utiliza como seu principal ativo de liquidação. Isso significa que cada negociação na plataforma é liquidada em USDC, não em um token proprietário ou moeda tradicional. Para o CME e a NYSE, essa dependência é um risco que eles têm prazer em destacar.

Afinal, as stablecoins são tão boas quanto as reservas que as lastreiam. A Circle, emissora do USDC, enfrentou sua própria turbulência — incluindo uma breve desancoragem em março de 2023 durante o colapso do Silicon Valley Bank. As bolsas teriam apontado esse episódio como evidência de que um colapso da stablecoin poderia congelar posições da Hyperliquid e deixar a CFTC em apuros.

A Hyperliquid, por sua vez, não comentou o esforço de lobby. A plataforma processa bilhões em volume diário e se tornou uma das favoritas entre os traders de varejo por sua velocidade e ausência de requisitos KYC.

Como poderia ser uma ação regulatória

Se a CFTC agir contra a Hyperliquid, isso pode assumir várias formas. A agência pode emitir uma advertência, apresentar uma ação de execução ou até mesmo buscar bloquear o uso do USDC em plataformas não registradas. Cada opção teria sérias consequências para a base de usuários da Hyperliquid e para o mercado mais amplo de derivativos descentralizados.

A pressão regulatória provavelmente empurraria os traders para plataformas rivais já regulamentadas ou que usam arranjos de garantia diferentes. Isso poderia significar um impulso para os próprios derivativos cripto do CME, ou para exchanges centralizadas que já se registraram na CFTC.

Também poderia remodelar o papel do USDC no DeFi. Se os reguladores decidirem que a liquidação baseada em stablecoin é muito arriscada para protocolos não regulamentados, outras exchanges descentralizadas podem repensar sua dependência do token da Circle. Já concorrentes como DAI e USDe estão observando atentamente.

O que vem a seguir

A CFTC não anunciou nenhuma investigação formal. Mas o lobby do CME e da NYSE sugere que a agência está recebendo um roteiro. A questão agora é se os comissários — que estão divididos sobre a política de criptomoedas — seguirão esse roteiro.

A Hyperliquid continua operando normalmente, sem pausa em seu motor de negociação. Mas a conversa em Washington está se intensificando. Uma decisão da CFTC, ou uma declaração pública da agência, pode surgir nas próximas semanas. Até lá, o destino de uma das plataformas de derivativos mais populares do cripto depende de uma stablecoin — e dos reguladores que a observam.