O Banco da Inglaterra está recuando dos limites propostos para a propriedade de stablecoins, respondendo às críticas ferozes da indústria de que as regras originais eram muito restritivas. A vice-governadora Sarah Breeden, que supervisiona a estabilidade financeira, sinalizou o recuo na quarta-feira, afirmando que o banco central agora acredita que seu quadro inicial pode ter ido longe demais.
Por que os limites geraram críticas
O rascunho anterior imporia restrições rígidas de propriedade às empresas que emitem moedas digitais atreladas a moedas fiduciárias. Grupos da indústria argumentaram que as restrições sufocariam a inovação e tornariam inviável para as empresas construir negócios de stablecoin viáveis no Reino Unido. A reação foi ampla e forte, com várias grandes empresas de criptomoedas e associações comerciais apresentando objeções detalhadas durante o período de consulta.
O sinal de Breeden
Breeden não anunciou um novo limite ou prazo específico. Em vez disso, ela disse a uma plateia em uma conferência de tecnologia financeira que o Banco havia ouvido as reclamações e estava ajustando sua abordagem. “Reconhecemos que algumas de nossas propostas anteriores podem ter sido excessivamente restritivas”, disse ela, de acordo com observações preparadas. “Estamos agora reduzindo os limites de propriedade propostos para alcançar uma base regulatória mais equilibrada.” O Banco não chegou a dizer até que ponto reduziria os limites, deixando os participantes do mercado na expectativa.
O que a revisão significa para os emissores de stablecoins
Para empresas que já estão construindo projetos de stablecoin no Reino Unido, o recuo é um sinal bem-vindo, embora cauteloso. O limite original teria restringido quanto de um emissor de stablecoin poderia ser propriedade de uma única entidade ou grupo, uma medida que o Banco disse ser necessária para evitar o risco de concentração. Os críticos contra-argumentaram que a regra tornaria impossível para startups atrair financiamento de capital de risco ou para empresas de pagamento estabelecidas lançar novos produtos. Espera-se que o quadro revisado permita uma propriedade mais concentrada, preservando ao mesmo tempo a capacidade do Banco de intervir se um stablecoin se tornar grande demais para falir.
A mudança também alinha o Reino Unido mais de perto com outras jurisdições. O regulamento de Mercados de Criptoativos da União Europeia, que entra em vigor total este ano, não impõe um limite rígido de propriedade. Os EUA ainda estão redigindo suas regras para stablecoins, com um projeto de lei tramitando no Congresso que exigiria que os emissores mantivessem reservas de alta qualidade, mas não chega a limitar a propriedade.
O que vem a seguir
O Banco da Inglaterra deve publicar um documento de consulta revisado nos próximos meses. Os participantes da indústria terão então a oportunidade de responder às propostas atualizadas antes que as regras finais sejam estabelecidas. A principal questão não respondida continua sendo exatamente onde o novo teto de propriedade vai se situar — e se será generoso o suficiente para satisfazer as empresas que ameaçaram levar seus projetos para outro lugar.



