O Comitê do Senado dos EUA sobre Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos analisará na próxima semana a Lei de Clareza, um projeto que pode dar à indústria nacional de criptomoedas a base regulatória que ela busca há anos. Os defensores afirmam que a legislação eliminaria o emaranhado de diretrizes estaduais e federais, facilitando para as empresas investir e competir globalmente. Mas o debate sobre a supervisão das stablecoins ainda está longe de ser resolvido.
O que a Lei de Clareza faz
O projeto se baseia em uma premissa simples: dizer às empresas de criptomoedas quais são as regras, para que elas não precisem adivinhar. Atualmente, uma exchange em Nova York enfrenta requisitos diferentes de uma em Wyoming, e a SEC e a CFTC disputam jurisdição. A Lei de Clareza estabeleceria um quadro federal que substitui o registro estadual para certas atividades com ativos digitais, mantendo intactas as proteções ao consumidor.
Esse tipo de certeza é importante. Sem ela, os EUA viram projetos se estabelecerem em Singapura, Dubai e na UE, onde o MiCA já oferece um modelo claro. A Lei de Clareza foi projetada para reverter esse fluxo.
O impasse das stablecoins
As stablecoins são a parte do projeto que mais gera controvérsia. Os legisladores concordam que um mercado de US$ 200 bilhões precisa de supervisão, mas discordam sobre quem deve comandar. Alguns querem que os reguladores estaduais mantenham a autoridade; outros preferem um novo regime federal administrado pelo Fed ou pelo OCC. O rascunho atual deixa esses detalhes sem solução, e fontes próximas ao comitê dizem que o texto pode mudar antes da votação da próxima semana.
É o tipo de embate que pode travar um projeto. As stablecoins não são apenas uma nota técnica de rodapé — elas são a espinha dorsal da maioria das negociações em exchanges e dos empréstimos em DeFi. Se o comitê não encontrar um consenso, todo o pacote pode vacilar.
O que vem a seguir
A audiência do comitê está marcada para 20 de maio. Se o projeto for aprovado no comitê, segue para o plenário do Senado. É aí que começa o verdadeiro teste — a câmara tem uma agenda lotada e as eleições de meio de mandato estão chegando. Uma votação em plenário antes de agosto é possível, mas não garantida.
Por enquanto, a indústria de criptomoedas está mais atenta à disputa das stablecoins do que a qualquer outra parte do projeto. Uma vitória clara sobre as stablecoins enviaria um sinal forte; um acordo confuso poderia deixar o mercado na mesma névoa em que está há anos. A audiência da próxima semana nos dirá para qual direção estamos indo.




