O regulador financeiro da Coreia do Sul investigou 40 casos de manipulação do mercado de criptomoedas nos últimos dois anos, disse o presidente da Comissão de Serviços Financeiros (FSC), Lee Eog-won, nesta segunda-feira. O anúncio ocorreu no segundo aniversário da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais, a primeira lei abrangente do país voltada para combater irregularidades com ativos digitais.
Dois anos da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais
A lei entrou em vigor em julho de 2024, concedendo à FSC e a outras agências novos poderes para fiscalizar corretoras de criptomoedas e punir negociações desleais. Antes da legislação, a aplicação das regras era fragmentada — os reguladores dependiam de estatutos financeiros gerais que nem sempre se aplicavam a ativos digitais. A declaração de aniversário de Lee ofereceu um raro balanço público do impacto da lei.
“A FSC tem trabalhado em estreita colaboração com o Ministério Público e a Unidade de Inteligência Financeira da Coreia para rastrear atividades manipuladoras”, disse Lee em comunicado preparado. Ele não forneceu uma divisão dos 40 casos nem nomeou corretoras ou indivíduos específicos sob investigação.
O que os casos abrangem
Os 40 casos envolvem uma série de supostas violações, incluindo esquemas de pump and dump, wash trading e insider trading. A FSC não divulgou resultados detalhados dos casos, mas o número sugere uma fiscalização ativa. Para efeito de comparação, o regulador havia divulgado anteriormente algumas investigações de alto perfil — esta é a primeira vez que apresenta um número acumulado.
O mercado de criptomoedas da Coreia do Sul é um dos maiores do mundo em volume de negociação, e as corretoras locais têm enfrentado escrutínio frequente por manipulação de preços e conflitos de interesse. A lei exige que as corretoras se registrem na FSC, mantenham sistemas de monitoramento em tempo real e relatem transações suspeitas.
Momentum regulatório
O marco de dois anos ocorre em meio a sinais do governo sul-coreano de que deseja endurecer ainda mais as regras. Em junho, a FSC propôs emendas à lei que imporiam padrões de listagem mais rigorosos e penalidades mais severas para manipuladores. Essas mudanças ainda estão em tramitação legislativa.
O comunicado de Lee não mencionou novas medidas políticas, mas o momento — o próprio aniversário — foi claramente escolhido para lembrar ao setor que a fiscalização não está diminuindo. “Continuaremos a investigar e punir qualquer comportamento que prejudique a integridade do mercado”, disse ele.
A FSC não estabeleceu um prazo para concluir os casos pendentes restantes. Alguns podem resultar em encaminhamentos criminais; outros podem levar a multas ou suspensões de corretoras. O regulador também não informou se publicará um relatório detalhado sobre o histórico de fiscalização de dois anos.
Por enquanto, o número de 40 casos é a medida mais concreta de como a Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais tem sido aplicada. Se o ritmo das investigações vai acelerar — ou se a FSC vai divulgar nomes — ainda é uma questão em aberto.




