A Haun Ventures fechou um fundo de US$ 1 bilhão dedicado a apoiar startups que estão construindo o que a empresa chama de próxima geração de sistemas financeiros. O fundo, anunciado esta semana, focará em três áreas: nova infraestrutura financeira, incluindo tecnologias cripto, tokenização e mercados de ativos on-chain, e a economia agente — uma aposta de que agentes de IA autônomos interagirão cada vez mais com dinheiro e ativos baseados em blockchain.
Para onde vai o dinheiro
O pool de US$ 1 bilhão é dividido entre investimentos em estágio inicial e de crescimento, embora a Haun Ventures não tenha divulgado publicamente alocações exatas. A empresa disse que mirará em empresas que constroem camadas fundamentais — como novas blockchains, soluções de escalabilidade e protocolos de interoperabilidade — além de aplicações que trazem ativos do mundo real para registros distribuídos.
A tokenização tem sido um foco crescente para o capital de risco nos últimos anos. A BlackRock, o Citigroup e grandes bolsas já lançaram versões on-chain de títulos, crédito e private equity. O fundo da Haun sugere que essa tese não está perdendo força.
A aposta na economia agente
O terceiro pilar é o mais visionário. A economia agente refere-se a sistemas em que agentes de IA — programas de software que podem agir autonomamente em nome dos usuários — executam transações, gerenciam carteiras ou negociam contratos sem intervenção humana. A Haun Ventures enxerga que esses agentes precisarão de primitivas cripto nativas: dinheiro programável, identidade descentralizada e liquidação sem confiança.
Este é ainda um conceito inicial. Poucos produtos com agentes voltados ao consumidor existem hoje, e as estruturas regulatórias para atores econômicos autônomos estão apenas esboçadas. Porém, a empresa aposta que a infraestrutura para agentes será construída em blockchains abertas, não em plataformas fechadas.
Por que o tamanho importa
Um fundo de US$ 1 bilhão é considerável para o capital de risco focado em criptomoedas, especialmente após a retração de 2022–2023 que reduziu muitos fundos. Isso sinaliza que a Haun Ventures enxerga o ciclo atual de mercado como uma oportunidade de investimento, não de recuo. A empresa foi fundada em 2022 por Katie Haun, ex-sócia geral da a16z, e tem sido uma das investidoras mais ativas nos debates regulatórios e políticos sobre criptomoedas.
O momento não é acidental. Com o halving do Bitcoin agora há mais de um ano e a adoção institucional crescendo silenciosamente — como entradas em ETFs, ofertas de custódia bancária e alocações de fundos de pensão estaduais —, os investimentos de venture capital estão voltando a fluir. O fundo da Haun soma-se a um montante que já inclui o fundo cripto de US$ 4,5 bilhões da Andreessen Horowitz de 2022 e a recente captação de US$ 850 milhões da Paradigm.
A Haun Ventures não divulgou empresas específicas do portfólio ligadas a este novo fundo. A empresa espera aplicar o capital nos próximos três a quatro anos, com os primeiros investimentos previstos para serem anunciados nas próximas semanas. A grande questão não respondida: se a tese da economia agente gerará receita real antes do fim do ciclo de vida do fundo, ou se permanecerá como uma proposta teórica usada por firms de venture capital para se diferenciarem.



