O Bitcoin caiu para cerca de US$ 74.000 no fim de semana, depois se recuperou acima de US$ 77.000 com relatos de um possível cessar-fogo entre EUA e Irã — apenas para cair novamente abaixo de US$ 77.000. A moeda agora acumula queda de quase 30% no último ano, e um conjunto de métricas de mercado sugere que a pressão não está diminuindo. A alavancagem bruta dos hedge funds subiu para aproximadamente 293%, a exposição a vendas a descoberto do S&P 500 está em níveis recordes e as métricas de dias para cobrir estão elevadas.
A montanha-russa do fim de semana
O movimento de US$ 74.000 para acima de US$ 77.000 e de volta ocorreu em cerca de 48 horas. A especulação sobre o cessar-fogo deu ao Bitcoin um breve impulso, mas a alta não se sustentou. Na segunda-feira, o preço já havia caído novamente abaixo de US$ 77.000. O analista citou resistência em torno de US$ 78.000 e suporte perto de US$ 76.000 — uma faixa estreita que está prestes a ser testada.
Alavancagem e apostas vendidas
A alavancagem bruta dos hedge funds em 293% não é apenas um número — sinaliza que a turma da margem está toda dentro. Ao mesmo tempo, a exposição a vendas a descoberto contra o S&P 500 nunca foi tão alta. Essa combinação tende a amplificar qualquer liquidação, e o cripto não está imune. As métricas de dias para cobrir, que medem quantas sessões os vendedores a descoberto levariam para fechar posições, também estão elevadas, sugerindo muita convicção baixista, mas também um potencial aperto se o sentimento mudar.
Sinais de alerta na blockchain
Os endereços ativos do Bitcoin caíram quase 40% em duas semanas — de 821.000 para 494.000. Essa é uma queda mais acentuada do que a do preço, e aponta para um desengajamento real dos usuários. Enquanto isso, as taxas de financiamento de derivativos recentemente atingiram 0,4%, o nível mais alto em mais de dois meses. Isso significa que os comprados estão pagando para manter posições abertas, um sinal clássico de superlotação. Grandes detentores redistribuíram mais de 18.000 BTC durante o período de consolidação, o que geralmente antecede um movimento maior — para um lado ou para o outro.
A correlação cambiante do Bitcoin
Durante a liquidação da COVID-19 em 2020, o Bitcoin caiu junto com as ações, em vez de atuar como porto seguro. De acordo com a XWIN Japan, essa relação começou a mudar em 2025, com o Bitcoin apresentando oscilações maiores ligadas à demanda por ETFs, atividade de alavancagem e fluxos de liquidez nativos do cripto. A implicação: movimentos tradicionais de aversão ao risco podem agora atingir o cripto com mais força e rapidez do que antes, porque o mercado está mais alavancado e mais impulsionado por fluxos institucionais. Esse é um tema que vale a pena acompanhar se os ativos de risco voltarem a se deteriorar.
Por enquanto, o foco está no suporte de US$ 76.000. Se ele for quebrado, o próximo piso não é óbvio. Se ele se mantiver, o potencial de aperto nos vendidos é real. De qualquer forma, os próximos dias devem dizer.




