A Fox fechou um acordo de US$ 22 bilhões para comprar a Roku, marcando uma das maiores fusões de mídia dos últimos anos. A aquisição reúne uma rede de transmissão tradicional com uma plataforma líder de streaming, e espera-se que acelere a migração dos gastos com publicidade da TV linear para o digital. O negócio, anunciado nesta segunda-feira, provavelmente enfrentará um escrutínio rigoroso dos reguladores preocupados com uma maior consolidação no setor de mídia.
Por que o acordo é importante para os anunciantes
A plataforma da Roku alcança dezenas de milhões de lares que cortaram o cabo. Ao possuir tanto a distribuição de conteúdo quanto um ecossistema de hardware, a Fox pode segmentar os telespectadores com mais precisão do que conseguiria por meio de pacotes de TV a cabo. Os anunciantes já estão transferindo verbas para a TV conectada há anos — este acordo pode acelerar esse movimento. A Fox já vende inventário de anúncios em seus canais de esportes, notícias e entretenimento. Agora, ela combinará isso com os dados da Roku sobre o que os usuários realmente assistem, quando e por quanto tempo.
A entidade combinada controlará uma parcela significativa dos espaços publicitários premium no streaming. Isso pode lhe dar poder de precificação, mas também levanta questões sobre concorrência. Redes menores e serviços de streaming podem ter mais dificuldade para competir pelos mesmos dólares de publicidade se a Fox puder oferecer uma solução completa com garantias de audiência que outros não conseguem igualar.
O cenário competitivo do streaming fica mais concorrido
A Roku atualmente opera como um gateway neutro para centenas de aplicativos de streaming, desde Netflix até Disney+ e Peacock. Uma vez que for de propriedade da Fox, os concorrentes terão que decidir se permanecem em uma plataforma controlada por um competidor. A mesma dinâmica ocorreu quando a Comcast comprou a NBCUniversal e depois lançou o Peacock — alguns canais retiraram seu conteúdo, outros negociaram termos mais rígidos.
O acordo também coloca a Fox em concorrência direta com Amazon e Google, que operam suas próprias plataformas de streaming e sistemas de anúncios. Diferente desses gigantes da tecnologia, a Fox é principalmente uma empresa de conteúdo. Isso significa que ela pode combinar programação original de suas redes, como Fox Sports, Fox News e o canal de transmissão da Fox, com o ecossistema de hardware e software da Roku. O resultado pode ser um serviço verticalmente integrado que é mais difícil para streamers puros igualarem.
Obstáculos regulatórios pela frente
O preço de US$ 22 bilhões por si só já sinaliza o tamanho deste acordo. Mas os reguladores em Washington têm adotado uma linha mais dura em relação à consolidação da mídia. O Departamento de Justiça e a Comissão Federal de Comunicações provavelmente revisarão a aquisição. Autoridades antitruste recentemente contestaram fusões que reduzem a concorrência nos mercados de publicidade ou dão a uma empresa o controle tanto do conteúdo quanto da distribuição.
A Fox e a Roku argumentarão que o mercado de streaming já está lotado de players poderosos como Netflix, Amazon, YouTube e Apple. Dirão que a combinação permite que uma emissora tradicional concorra de forma mais eficaz contra as grandes empresas de tecnologia. Os críticos contra-atacarão, afirmando que isso concentra muita influência sobre quais programas são promovidos e como os preços dos anúncios são definidos. O resultado é incerto.
Por enquanto, espera-se que a Fox e a Roku operem separadamente até que os reguladores aprovem o negócio. As empresas não definiram uma data de fechamento, mas o processo de revisão pode levar um ano ou mais. O que acontecerá com as parcerias existentes da Roku com outras empresas de mídia será uma das primeiras coisas que os concorrentes observarão de perto.




