O CEO da BitGo, Mike Belshe, está a soar o alarme sobre o quadro regulatório MiCA da União Europeia, alertando que um prazo de conformidade iminente para 1º de julho pode desencadear o que ele chama de 'crise massiva de stablecoins.' A sua preocupação: as principais stablecoins lastreadas em dólar americano — especialmente a USDT da Tether — podem não cumprir as novas regras, e as alternativas não são suficientemente profundas para preencher a lacuna.
O prazo de 1º de julho
As disposições do MiCA sobre stablecoins estão a ser implementadas desde meados de 2024, mas a aplicação total acelera no próximo mês. As stablecoins atreladas a uma única moeda oficial, como o dólar americano, são classificadas como tokens de moeda eletrónica ao abrigo das regras. Isso significa que os emitentes devem ser licenciados como instituições de crédito ou instituições de moeda eletrónica da UE, deter reservas em instrumentos líquidos segregados e garantir o resgate ao valor facial a qualquer momento.
Há um obstáculo estrutural: o seguro de depósitos da UE limita-se a 100.000 euros por depositante. Isso não cobre os milhares de milhões em reservas que os emitentes de stablecoins detêm. O CEO da Tether, Paolo Ardoino, sinalizou que exigir reservas em bancos regulados pela UE cria risco sistémico — especificamente exposição a corridas bancárias — o que, segundo ele, contradiz os próprios objetivos declarados do MiCA.
Tether versus Circle
A Tether é o elefante na sala. A USDT domina mais de 90% do volume global de negociação de stablecoins. Mas a Autoridade Bancária Europeia pode impor limites de transação a tokens considerados 'significativos', com um limite anteriormente sugerido de 200 milhões de euros em valor diário de transações na UE. A USDT ultrapassaria esse limite quase instantaneamente, tornando as operações na UE economicamente inviáveis.
A Circle, entretanto, posicionou-se como a favorita regulatória. A emitente da USDC possui licenciamento de instituição de moeda eletrónica da UE e recebeu aprovação para oferecer serviços de criptoativos no bloco. O mercado já está a mudar: várias plataformas importantes, incluindo a operação da Coinbase na UE, começaram a restringir o acesso à USDT para utilizadores europeus antes do prazo de julho.
Preocupações com a liquidez
O argumento central de Belshe é simples: a USDC e a EURC não têm profundidade de mercado suficiente para substituir a liquidez da USDT da noite para o dia. Se a USDT for removida das listagens antes de as alternativas conformes serem suficientemente profundas, os traders enfrentarão pares ilíquidos, deslizamento grave, distorções de preços entre os mercados da UE e globais, e arbitragem prejudicada. Essa é a crise contra a qual ele alerta.
A altura não é a melhor. Os EUA estão a considerar quadros regulatórios mais leves para stablecoins, o que criaria uma clara divergência regulatória com a Europa. Mas, por agora, o tempo está a esgotar-se até 1º de julho — e a questão é se o mercado consegue ajustar-se com rapidez suficiente.




