A Tether, empresa por trás da maior stablecoin do mundo, está discutindo ativamente um token atrelado ao lari, informalmente chamado de GELT. Ainda não há lançamento oficial — mas as negociações por si só já forçam questões difíceis em Tbilisi. A Geórgia já opera um piloto de CBDC de lari digital através do Banco Nacional da Geórgia, e a USDT é amplamente usada para negociação de criptomoedas e pagamentos transfronteiriços. Uma stablecoin privada lastrada em lari criaria três trilhos, não dois.
Cenário de três trilhos
Se o GELT for lançado, a Geórgia pode acabar com uma CBDC pública (o lari digital), uma stablecoin privada lastrada em lari (GELT) e a USDT para tudo o mais. Cada uma é uma fera diferente. O lari digital é um passivo do banco central — basicamente dinheiro digital. GELT e USDT são instrumentos privados respaldados por reservas comerciais. Todas as três têm funções de bloqueio e congelamento por parte do emissor, mas diferem enormemente em acesso, interoperabilidade e quem controla a oferta monetária. São muitos trilhos de pagamento para um país de 3,7 milhões de pessoas.
Reservas e lastro
As stablecoins não-dolarizadas existentes da Tether — EURt, CNHt, MXNt — fornecem um modelo aproximado. Um token lastrado em lari provavelmente teria lastro 1:1, com reservas mantidas em bancos georgianos ou uma combinação de ativos líquidos em GEL e moeda estrangeira. A emissão e o resgate seriam feitos por meio de bancos, com verificações KYC e AML padrão. No lado técnico, provavelmente seria lançado na Tron e na Ethereum, as blockchains onde a Tether já possui liquidez profunda. Essa é a parte fácil.
Escolhas políticas pela frente
A parte mais difícil é a coexistência. Introduzir um token privado lastrado em lari enquanto o Banco Nacional ainda pilota sua própria moeda digital força escolhas sobre controle monetário, proteção ao consumidor e concorrência. O banco central não precisa de uma stablecoin rival que consuma a adoção de sua CBDC antes mesmo do piloto terminar. Ao mesmo tempo, um token atrelado ao GEL poderia tornar remessas e comércio denominado em dólar mais baratos para os georgianos — se as autoridades permitirem que ele respire. Ninguém disse sim ainda. Mas o fato de a Tether estar discutindo isso significa que a conversa começou.




