A correlação diária do Bitcoin com o S&P 500 caiu para 0,12 no segundo trimestre, ante 0,58 nos três meses finais de 2025, de acordo com um relatório conjunto da Coinbase Institutional e da Glassnode. O desacoplamento das ações ocorreu enquanto a correlação do Bitcoin com o ouro subiu para 0,57 e com a prata para 0,63. A mudança em direção aos metais de refúgio acontece justamente quando o Federal Reserve se reúne nos dias 28 e 29 de julho e as quatro maiores empresas de hiperscala dos EUA — Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet — divulgam seus balanços na mesma semana.
Sinais on-chain apontam para acumulação
Os autores do relatório descrevem um mercado que está saindo de uma correção e entrando em acumulação. As moedas transacionadas nos últimos três meses estão em mínimas de vários anos, enquanto a oferta dormente está aumentando. Esse padrão, combinado com a queda da correlação com ações, sugere que os detentores estão mantendo suas posições em vez de buscar fluxos de risco. O Bitcoin passou grande parte de 2026 sendo negociado em uma faixa que frustra tanto touros quanto ursos, mas os dados on-chain apontam para uma acumulação, e não para um estouro.
Fed enfrenta inflação persistente e pressão energética
O Relatório de Política Monetária de julho do Fed mostrou a inflação do PCE em 4,1% e o núcleo do PCE em 3,4% nos doze meses até maio. A taxa dos fundos federais está em 3,50%-3,75% desde janeiro. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, atribuiu a inflação elevada a tarifas, custos de energia e commodities impulsionados pelo Oriente Médio, e à demanda por bens e eletricidade proveniente de investimentos em tecnologia. O Sumário das Projeções Econômicas de junho já elevou a mediana do PCE para 2026 para 3,6% e a mediana da taxa dos fundos para o fim do ano para 3,8% — acima dos 3,4% de março.
O momento não é ideal para uma alta do Bitcoin. Se o Fed sinalizar outra manutenção ou uma postura hawkish, o vento contrário macroeconômico pode puxar o cripto para baixo. Mas os dados de desacoplamento sugerem que o Bitcoin pode reagir de forma diferente do que em 2025.
Preços do petróleo dividem o caso de alta e de baixa para o Bitcoin
O relatório descreve dois cenários. No caso de alta, uma liquidação de ações de IA impulsionada por preocupações com valuation reduziria os rendimentos dos títulos e fortaleceria os metais, o que elevaria o Bitcoin. No caso de baixa, uma liquidação de IA desencadeada por inflação e aumento dos custos de energia elevaria os rendimentos, arrastando o Bitcoin para baixo junto com os metais. Os preços do petróleo são o fator-chave para determinar qual caminho se concretizará. O caso base de julho da Administração de Informação de Energia dos EUA prevê o Brent a uma média de US$ 74 o barril no terceiro trimestre.
A Alphabet elevou esta semana sua orientação de gastos de capital para 2026 para US$ 195-205 bilhões, ante US$ 180-190 bilhões, e reportou seu primeiro trimestre de fluxo de caixa livre negativo — menos US$ 5,9 bilhões. As quatro maiores empresas de hiperscala dos EUA estão a caminho de gastar mais em capex do que em fluxo de caixa livre até 2027, se as tendências atuais se mantiverem. As Big Tech devem investir mais de US$ 700 bilhões em infraestrutura de IA este ano, e o Morgan Stanley projeta que esse valor ultrapassará US$ 1 trilhão em 2027. A Microsoft e a Meta divulgam seus balanços em 29 de julho; a Amazon segue em 30 de julho.
Esses números são importantes para o Bitcoin porque o ciclo de capex em IA é a mesma força que compete por capital e impulsiona a demanda por eletricidade. A forma como o mercado interpretar os balanços — como sinal de superinvestimento ou de uma aposta necessária — terá repercussões nos rendimentos, nos metais e, eventualmente, no cripto.




