O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, criticou as leis de investimento dos EUA nesta semana, chamando-as de um imposto regressivo que impede pessoas comuns de aproveitar oportunidades de construção de riqueza. Em declarações que sinalizam um movimento crescente por acesso a mercados privados, Armstrong argumentou que as regras atuais prejudicam desproporcionalmente aqueles que já não são ricos.
Por que Armstrong chama isso de imposto regressivo
Armstrong não mediu palavras. Ele disse que as leis de valores mobiliários que regulam quem pode investir em empresas privadas — pense em startups, empresas pré-IPO e negócios de capital de risco — funcionam efetivamente como um tributo sobre a classe média. Os ricos, observou, podem se qualificar facilmente como investidores credenciados e aplicar dinheiro em mercados privados de alto crescimento. Todos os outros ficam presos a ações e títulos públicos, que geralmente oferecem retornos mais baixos.
Essa lacuna, na visão de Armstrong, não é apenas injusta. É uma falha de política que custa dinheiro real aos americanos comuns. Ao rotular as regras como um imposto regressivo, ele está traçando uma linha direta entre regulação e desigualdade: quanto menos você tem, mais o sistema o exclui.
A barreira do investidor credenciado
Atualmente, para investir na maioria das ofertas privadas, você precisa ser um investidor credenciado — um status que exige patrimônio líquido de US$ 1 milhão (excluindo sua casa) ou renda anual acima de US$ 200.000 nos últimos dois anos. Esse limite não mudou significativamente em décadas, mesmo com a inflação e os preços dos ativos disparando.
A crítica de Armstrong se concentra nesse ponto de corte estático. Ele argumenta que não mede sofisticação financeira. Mede riqueza. E como a riqueza nos EUA é altamente concentrada, a regra efetivamente reserva as oportunidades de investimento mais lucrativas para uma fatia da população.
Ele não está sozinho nessa visão. Um número crescente de líderes de fintech e defensores de políticas pressionaram a Securities and Exchange Commission (SEC) para flexibilizar a definição de investidor credenciado, ou substituí-la por algo como um teste de alfabetização financeira. Mas a SEC tem agido lentamente, e o debate permanece em um limbo regulatório.
Como seria a democratização dos mercados privados
As declarações de Armstrong apontam para um futuro onde investidores de varejo poderiam comprar ações de empresas em estágio inicial da mesma forma que compram Bitcoin ou ações da Apple. A própria Coinbase construiu uma plataforma em torno de ativos cripto, muitos dos quais operam em uma área cinzenta regulatória que já permite que investidores menores assumam riscos que as leis de valores mobiliários tradicionais proíbem.
Mas Armstrong não está apenas defendendo cripto. Ele está fazendo um caso mais amplo por reforma. Se a SEC afrouxasse as regras de investidor credenciado, plataformas como a Coinbase poderiam oferecer ações tokenizadas de empresas privadas, fundos imobiliários ou veículos de capital de risco para qualquer pessoa com um smartphone e algumas centenas de dólares.
O potencial positivo é enorme. Os mercados privados historicamente superaram os públicos. Mas o risco também é real — muitas startups privadas falham, e investidores menos sofisticados podem perder tudo. Armstrong reconhece esse risco, mas argumenta que o sistema atual assume paternalisticamente que os ricos são os únicos capazes de lidar com ele.
O caminho regulatório à frente
Não há sinais de que a SEC esteja preparando uma reforma abrangente. O presidente Gary Gensler tem focado em fiscalização de cripto e divulgações climáticas, não no acesso do investidor de varejo. E o Congresso, por sua vez, mostrou pouco apetite por uma briga sobre definições de investidor credenciado.
Ainda assim, a pressão pública de Armstrong se soma a um coro que inclui capitalistas de risco, fundadores de fintech e até alguns ex-comissários da SEC. A questão agora é se isso se traduzirá em mudanças nas regras — ou se o imposto regressivo que ele descreve permanecerá em vigor por mais uma década.




