Elon Musk disse que o CEO da Delta Air Lines, Ed Bastian, "perderá o emprego" depois que a companhia aérea recusou um acordo de Wi-Fi da Starlink e assinou com o serviço de internet via satélite da Amazon. O comentário, publicado no X, transformou uma decisão discreta de conectividade a bordo em uma disputa pública entre dois dos nomes mais visíveis da aviação e da tecnologia.
Bastian lidera a Delta desde 2016 e não respondeu publicamente à postagem de Musk. A Delta se recusou a comentar a troca de farpas, e as ações da companhia aérea fecharam em alta de 1%, a US$ 84,87, na terça-feira, acumulando ganho de 21,5% no ano.
O que Bastian teria dito
A disputa remonta a eventos internos da Delta nos quais Bastian teria dito a funcionários que a companhia testou a Starlink, mas recusou um acordo. Segundo JonNYC, uma conta pseudônima no X conhecida por vazar notícias do setor aéreo, Bastian afirmou: "Não queremos ficar com Elon Musk. Confiem em mim", e, em um encontro anterior, acrescentou: "é tudo verdade o que dizem sobre ele".
JonNYC alertou que não podia confirmar a exatidão das citações. Nem a Delta nem Bastian verificaram as declarações, e a companhia aérea não se pronunciou oficialmente sobre elas.
Musk também brincou que um voo da Delta é o lugar perfeito para isolar um modelo de IA porque não tem internet. Sua unidade SpaceXAI lançou recentemente o modelo Grok 4.7, que compete com os principais laboratórios de IA — um lembrete de que a briga pela Starlink está inserida em uma rivalidade tecnológica mais ampla.
O acordo com a Amazon Leo por trás da recusa
A Delta assinou com a Amazon Leo em abril, em vez da Starlink. A Amazon renomeou seu serviço de internet via satélite de Project Kuiper para Leo em 2025, mas a Leo só entrará em testes beta em 2027. Esse cronograma coloca a Delta em uma posição incomum: ela se comprometeu com um serviço que ainda não foi lançado, enquanto rivais já voam com a Starlink hoje.
A Starlink continua sendo um negócio central para a SpaceX, que recentemente completou o primeiro voo orbital da Starship. A CEO da Ark Invest, Cathie Wood, recentemente chamou o IPO de US$ 1,75 trilhão da SpaceX de pechincha, ressaltando o quanto está em jogo no momentum comercial da unidade de satélites.
A pressão agora corta os dois lados. A Delta enfrenta concorrentes que já oferecem Wi-Fi Starlink em voos de longa distância, dando aos passageiros um motivo concreto para escolher outra companhia aérea. A Amazon, por sua vez, precisa entregar a Leo no prazo, ou a aposta da Delta fica pior a cada trimestre de atraso.
Passageiros frequentes escolhem lados
Vários passageiros frequentes ficaram do lado de Musk no X, com alguns prometendo deixar a Delta por rivais que oferecem Starlink, como a United. A reação é anedótica, mas mostra como o Wi-Fi a bordo rapidamente se tornou uma questão de lealdade, e não uma nota de rodapé no bolso do assento.
A posição da Delta é que fez uma escolha competitiva. Os comentários relatados de Bastian sugerem que a decisão também foi pessoal, e é por isso que a resposta de Musk soou como uma ameaça, e não como uma reclamação sobre o produto. Se os passageiros da Delta se importam o suficiente para trocar de companhia aérea aparecerá nos dados de reservas, não nas postagens.
O que observar
A Delta não disse se vai revisitar sua decisão sobre a Starlink ou quando o serviço Leo deve entrar em operação em sua frota. A Amazon pretende iniciar os testes beta da Leo em 2027, e qualquer atraso deixaria a Delta sem a atualização de conectividade que seus rivais já anunciam. Bastian, por sua vez, ainda não respondeu diretamente a Musk — e Musk não disse o que planeja fazer além da postagem.




